O agronegócio do palmito é relativamente novo, no Brasil e no mundo, com um Valor Bruto de Produção estimado em US$ 500 milhões. Na última década começou a perder o caráter de atividade eminentemente extrativa com industrialização em grande parte clandestina. O acirramento da questão ambiental, a quase exaustão das espécies nativas na Mata Atlântica, o raleamento dos estoques de açaí no Pará/Amapá, o crescente aproveitamento dessa palmeira para a colheita de frutos, aliado às exigências dos consumidores e da ANVISA, têm induzido, mais recentemente, a três grandes movimentos:
i) À extração organizada em planos de manejo, onde a legislação e a “pressão” ambientalista o permitam; ii) ao cultivo de espécies nativas e de exóticas em todas as regiões do País e em quase todos os Estados; e iii) a uma reestruturação das agroindústrias tradicionais, na busca de padrões de qualidade aceitáveis para o produto.
Os dados para este estudo foram obtidos de fontes secundárias e em entrevistas diretas, entre junho de 2002 e março de 2003. Estimou-se que a produção de palmito no Brasil está em torno de 160.000 t/ano.
Quanto ao setor extrativo e produtivo agrícola, as principais observações são: i) O pólo dominante ainda é Belém, baseado na extração de açaí. Aí haveria uns 10.000km² com áreas densas em palmeiras de açaí, em diferentes condições de exploração. A tendência em adotar planos de manejo é crescente, sendo que até julho de 2000 havia 10.887 ha manejados, principalmente para a coleta de frutos, mas também produzindo palmito; e ii) A expansão dos cultivos ocorre de forma dinâmica. Além de Goiás (palmito de guariroba), nas regiões em que a pupunha se adaptou bem e onde havia agroindústrias já instaladas (Sul da Bahia e no Vale da Ribeira/SP) predominam as lavouras de pupunha, seguindo-se Santa Catarina e Paraná (palmeira real e pupunha). Em Santa Catarina é maior a área com palmeira real. Essa tendência é seguida pelo Paraná, na região Litoral e em regiões mais frias, como o Norte do Estado (Londrina e Maringá). A área total plantada no País foi estimada em 14.396 ha, em 2002.
As exportações decresceram de 11.793 t em 1977 para 2.222 t em 2004; os preços (FOB), idem: US$ 5.772,00/t em 1977 e US$ 3.421,00/t em 2004. O Equador e a Costa Rica (16.334 t e 14.443 t exportadas, respectivamente, em 2001) são os principais exportadores e atualmente com a atividade em recuperação após a crise de preços desde 1998. Outros países da América do Sul tiveram alguma expressão no mercado na década de 1990, explorando palmito nativo. Fora o Brasil, o mercado mundial do palmito é pouco expressivo (US$$ 65,6 milhões em 2002). Os principais importadores são a França, Espanha e Estados Unidos. As estimativas de consumo no Brasil variam de 100 g a 940 g/pessoa/ano, sendo a última a estimativa deste estudo, com base na POF/IBGE 1996 e ajustada com dados recentes. No mercado interno predomina o palmito de açaí, seguindo-se a pupunha. Os preços ao consumidor em 2003 foram de R$ 20,46 a 25,23/kg/vd 300 g/ tolete (US$ dólar = 2,97 R$, em 30/06/2003), com variações importantes: em São Paulo (capital) eram 20% maiores e em Belém, 30% menores que a média. A diversificação do produto é baixa: palmito couvert, rodelas, fatiado, bandas, toletinhos e palmito com picles são pouco freqüentes no mercado. Atualmente (2005) falta matéria-prima em algumas regiões e os preços do produto estão elevados.
As informações sobre o mercado do produto in natura indicam que esse ainda é pouco desenvolvido em todo o País, embora se comercialize quantidades apreciáveis de palmito extrativo e de produto cultivado em inúmeras localidades. Por conta da tradição, esse mercado parece ser mais dinâmico no Espírito Santo, seguindo-se o Rio de Janeiro e São Paulo (capital), Estados onde há uma razoável organização da produção para atender a esse mercado.
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